Clério Back, ex-aluno da Portfolio, fotografa há apenas três anos, mas já conquistou o honroso segundo lugar na categoria ‘Cor’ do Prêmio Leica, um dos mais importantes do Brasil. A façanha foi alcançada com a imagem ‘Ajustes na rede elétrica’, produzida em Guarapuava (PR), sua cidade natal, em maio de 2009. O resultado saiu no dia 10 de Setembro, durante o SP Photofest, em São Paulo. Entre os prêmios, uma câmera Leica c-lux 3. Clério, que ainda teve a imagem, junto da de outros finalistas, publicada na edição de outubro da revista Fotografe Melhor, diz que o prêmio deu um ‘gás’ em sua fotografia, e agora quer se envolver mais.
Em 2009, Clério registrou outros feitos. Em Guarapuava, ganhou um concurso com o tema ‘Revele sua Cidade’. Também foi selecionado para exposição no 6° concurso Pérsio Galembeck, em Araras (SP), e no 2° EuroClick do Centro Europeu de Curitiba, onde se classificou entre as 20 melhores fotos. Conheça outras imagens de Clério acessando www.flickr.com/photos/cback777.
Em entrevista, Clério fala mais sobre a imagem do Prêmio Leica e sua relação com a fotografia.
Você esperava conquistar uma boa colocação no Prêmio Leica?
Clério – Definitivamente não. Foi uma grande surpresa, tão boa que eu nem imaginava. Achei que talvez pudesse ter essa imagem selecionada entre as finalistas, o que já seria excelente. Quando recebi o e-mail com o comunicado do Sérgio Branco (Diretor de redação da Revista Fotografe Melhor), fiquei sem palavras, muito emocionado.
Fale mais sobre a imagem ‘Ajustes na rede elétrica’.
Clério – A foto foi captada aqui em Guarapuava (PR). Em Maio deste ano, o pessoal responsável pela manutenção elétrica estava fazendo reparos nos postes, e durante um período de 4-5 horas, algumas quadras próximas da minha casa ficaram sem luz. Eu estava passando de carro em uma das ruas que eles estavam e vi a movimentação, assim decidi voltar em casa pegar a câmera e fotografar a cena. Quando eu voltei, reparei no homem trabalhando sozinho em um dos postes, e fiz algumas imagens. Tive a sorte de pegar ele em uma expressão bem interessante e numa posição com bastante desenvoltura. A foto não foi produzida, registrei com uma teleobjetiva, sem que ele percebesse.
Por que você optou por inscrevê-la?
Clério – Desde quando fiz a imagem, achei que ela possuía algum impacto. Ela tem uma boa composição que valoriza a ação do trabalhador. É uma cena que existe em vários lugares, mas que de certa forma passa despercebida pelo olhar. Resolvi inscrevê-la por achar que tinha uma mensagem coerente com o tema, com uma cena brasileira comum, mas com características peculiares. Agrada-me bastante o registro do homem no ambiente de trabalho, principalmente quando ele exige o esforço, o suor.
De que maneira o prêmio deve influenciar suas atividades na fotografia?
Clério – Acho que muita coisa muda. O prêmio veio pra me indicar o caminho, fazer com que eu continue acreditando na fotografia para minha vida. É uma honra ter participado dessa premiação, sabendo da qualidade dos fotógrafos que participam e das imagens. Isso estimula a buscar sempre o melhor e intensifica minha vontade de fazer boas imagens. E acho que acabei percebendo que gosto muito de fotografar de maneira espontânea o cotidiano das ruas. E vou fazer isso com mais freqüência. Também quero desenvolver ensaios com maior envolvimento com os temas, fazer mais cursos, receber algumas críticas de fotógrafos mais experientes e trocar informação sobre fotografia. Também quero conhecer mais do que se está sendo produzido no Brasil atualmente.
Pretendo focar em alguns projetos e ensaios pessoais para desenvolver e aprimorar a minha linguagem pessoal. Fazer algumas exposições também seria muito importante. Ultimamente tenho amadurecido, e acho que isso vai acabar se refletindo na minha maneira de fotografar daqui pra frente. No começo, estava muito focado na fotografia comercial, em questões técnicas e etc. Agora quero desenvolver mais minha linguagem autoral, me envolver mais com os temas e criar ensaios mais sólidos e, claro, exercitar o olhar, a minha maneira de perceber as coisas ao redor.
Como foram seus primeiros passos no mundo da fotografia?
Clério – Tudo começou no laboratório da faculdade de Publicidade, onde me encantei muito com todo o processo de revelação e ampliação em PB. O primeiro fotógrafo profissional com que tive contato realmente foi o Nilo. Ele esteve presente em 2004 num festival de publicidade como palestrante aqui em Guarapuava, e por sinal eu fui um dos organizadores do evento. E foi ali que comecei a ver a imagem fotográfica com outros olhos. Vi o trabalho do fotógrafo e a maneira de como ele produzia as imagens. Com alguns colegas da faculdade e minha namorada, fiz o curso básico de fotografia aos sábados na Escola Portfolio em 2005. Saíamos de Guarapuava por volta das 5hr da madrugada para chegar na escola às 9hr da manhã, início da aula, e passávamos o dia todo estudando fotografia, e voltávamos para casa à noite. Foi um período um pouco desgastante, mas o aprendizado foi fundamental, além da diversão, é claro.
Foi na Escola que descobri os fundamentos da câmera e da imagem, e pela primeira vez fiz imagens em slide e então comecei a fotografar mais. Ainda tive a oportunidade de fazer um workshop com o Nilo em Guarapuava, se não me engano no mesmo ano, e pude observar a maneira dele fotografar mais de perto e trocar mais informações. Posso dizer que o Nilo foi quem primeiro me influenciou. Desde a palestra dele que vi em 2004, acho que foi a primeira vez que me deparei com um trabalho fotográfico de altíssima qualidade, e isso me impulsionou a buscar mais conhecimento sobre a fotografia. E através dele também conheci a Escola Portfólio, uma escola de fotografia, algo que eu ainda não tinha conhecimento aqui na minha região.